Os senadores correm contra o tempo para aprovar as novas
regras de distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE), os quais têm
até o dia 31 de dezembro para aprovar o Projeto de Lei Substitutiva (PLS) nº
289/2011, no qual estabelece como será feita essa nova partilha às unidades
federativas. O prazo foi estipulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que
concedeu dois anos para que o Senado mudasse as regras atuais, consideradas
inconstitucionais.
O assunto tem gerado polêmica, uma vez que o texto do
PLS, do senador Walter Pinheiro (PT/BA), caso aprovado, pode causar danos
irreparáveis a muitos estados, entre eles o Amapá, um dos maiores prejudicados,
com perdas estimadas em R$ 500 milhões desse repasse para os próximos anos,
dinheiro que daria para construir mais de 120 escolas públicas, por exemplo.Defendendo os interesses do Estado e de toda a sociedade, o Governo do Amapá promoveu na manhã desta sexta-feira, 7, um seminário visando mobilizar as autoridades políticas locais e a sociedade civil organizada, pedindo maior engajamento em defesa da vida financeira do Estado.
O Amapá depende de 69% do FPE para compor a sua receita.
Ainda que tenha havido constante crescimento de 28% este ano na arrecadação
estadual, ainda assim, não é suficiente para manter o Estado com as perdas do
repasse do Fundo de Participação, segundo dados apontados pelo auditor da
Secretaria da Receita Estadual, Eduardo Tavares, que explanou sobre os riscos
ao estado com o novo FPE.
Segundo o governador Camilo Capiberibe, caso não haja
mudanças na redação do PLS, beneficiando o Amapá com a nova partilha do FPE, a
administração do Estado se tornará inviável. Segundo ele, todas as proposições
do projeto do senador Walter Pinheiro são nocivas para o Amapá, sobretudo,
despreza os demais projetos que tramitam no congresso que são contrários à
proposta substitutiva de Pinheiro.
O governador cobra também maior empenho do presidente do
Congresso Nacional, senador pelo Amapá, José Sarney, na luta para derrubar o
projeto de Pinheiro. "União é a palavra do momento. Temos de lutar juntos
para que haja mudanças no texto do relator. Os Poderes e todos os demais
setores serão afetados, caso seja aprovada essa proposta sem alterações. Neste
caso, a derrota será de todos", diz Camilo.
O evento contou com a participação do senador amapaense
Randolfe Rodrigues (Psol) que projetou as possibilidades das perdas para o
Amapá, caso o texto original do PLS seja aprovado. O parlamentar teceu críticas
ferrenhas ao projeto do senador Pinheiro, afirmando que o novo FPE beneficiará
o estado da Bahia, maior contemplado com as regras vigentes de distribuição,
definidas por uma Lei Complementar de 1989, hoje, tidas como inconstitucional
pelo STF.
A luta no senado
Em pronunciamento no Senado nesta semana, João Alberto
Capiberibe (PSB/AP) sugeriu ao relator do projeto, o senador Walter Pinheiro
(PT/BA), que cada entidade beneficiária receba ao que foi distribuído no
correspondente decêndio do exercício de 2012, corrigido pela variação acumulada
da inflação e mais as perdas da desoneração do IPI em 2012.
Segundo Randolfe, este é o pior momento que o Amapá passa
desde que foi elevado à categoria de Estado. Ele elogiou a iniciativa do
governo estadual em convocar a sociedade para se unir a favor dos interesses do
Amapá."Essa mobilização que o Governo do Amapá faz hoje não tem partido. É de interesse do povo", pontuou o senador Randolfe.
Júnior Nery/Seplan
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