O programa Visão para Todos foi reativado neste sábado, 20, com a
assinatura do Termo de Cooperação entre o Governo do Estado do Amapá
(GEA) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Estão sob a
responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e da
instituição os atendimentos clínicos e cirúrgicos de pessoas que
aguardam o serviço desde a desativação do setor, e de novos pacientes
que serão cadastrados.
A parceria garante consultas e procedimentos cirúrgicos,
acompanhamento e transferência de tecnologia e de conhecimento
científico.
Governador Camilo diz que as funções da Prog do Amapá estão sendo
resgatadas e ela passa a ser um órgão que assegura a lisura nos atos do
Estado (Foto: Márcia do Carmo)
Criado em 1996, o programa atendeu centenas de pessoas de todas as
idades que apresentavam problemas oftalmológicos. Na época, o Estado fez
parceria com a mesma universidade e realizavam juntos todos os
procedimentos, desde a avaliação médica e consulta até acompanhamento
pós-cirúrgico e doação de óculos.
Os pacientes tinham direito ainda a alimentação e transporte. Em
2003, ele foi desativado e adotaram o sistema clientelista que somente
distribuía lentes. Muitos pacientes que tiveram o tratamento
interrompido estão sendo contatados para reiniciarem os procedimentos.
Para a reativação do programa, o Estado está
investindo cerca de R$ 2,7 milhões. Com este recurso, serão adquiridos
equipamentos para reestruturar o Centro Oftalmológico, e realizados
procedimentos clínicos e cirúrgicos, trabalho de prevenção, e pagamento
de bolsa, estadia e alimentação dos profissionais da Unifesp. Por sua
vez, a universidade se encarregou por manter equipes permanentes para
consultas, cirurgias e acompanhamento, promover o intercâmbio de
tecnologia e conhecimentos e dar capacitação para profissionais
amapaenses.
Mais de 3 mil pessoas aguardam atendimento para a primeira consulta e
para dar continuidade ao tratamento interrompido nos oito anos. O
secretário de Saúde, Lineu Facundes, prevê que este número chegue a 7
mil, pela carência de tratamento público oftalmológico no Amapá.
\"O alcance social do programa é imensurável. O Estado ficou ausente
desde que o Centro Oftalmológico foi desativado e a demanda aumentou. O
mutirão irá reduzir esse número, mas ainda assim, seremos bastante
procurados\", disse o secretário. Ele assegura que no HCAL estará
funcionando a Gerência do Programa para cadastro de interessados.
A previsão é que o Visão para Todos tenha a duração de onze meses,
período em que os profissionais trabalham as três etapas. Na primeira
serão atendidos pacientes com catarata; na segunda fase, pessoas com
problemas oftalmológicos causados por diabetes passam por tratamento; e
na terceira etapa serão realizados transplantes de córnea e doação de
óculos de grau.
\"Quem não enxerga por falta de cirurgias simples terá a visão de
volta, é um gesto que parece simples, mas que depende de vontade
política e empenho, e isso estão acontecendo agora\", disse João
Batista, do Conselho de Pessoas com Deficiência.
Para o governador Camilo Capiberibe, devolver a visão representa o
resgate de uma vida cidadã e com direitos respeitados. \"Trazer de volta
o Visão para Todos demonstra que temos capacidade de vencer desafios e
promover mudança na vida da população. Chegar até aqui é uma vitória
para o governo e para o povo\", disse.
A deputada federal Janete Capiberibe afirmou que a cegueira por
catarata será eliminada do Amapá. \"O governo foi ousado e trouxe de
volta o programa que mudou a existência de muitas pessoas. Muitos que
não enxergam por causa de catarata, mas essa realidade vai mudar\",
falou a deputada.
O mutirão oftalmológico do Visão para Todos inicia na segunda
quinzena de novembro, com preferência inicial para quem já está
cadastrado. O coordenador da Unifesp, doutor Lucas Viana, confirmou que a
qualidade técnica será a mesma empregada em São Paulo.
\"Tenham certeza que os pacientes serão atendidos por profissionais
competentes e com equipamentos de primeira. Vamos nos unir aos
profissionais do Amapá para que os pacientes voltem enxergar e faremos o
acompanhamento até o final do tratamento\", encerrou o coordenador.
Mariléia Maciel/Secom
Assessora de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Comunicação Social