Doze integrantes de
uma quadrilha de tráfico de drogas, desarticulada durante a “Operação
Retrospectiva”, realizada pelo Ministério Público do Amapá e demais
instituições da segurança pública, em dezembro de 2011, foram condenados pela
Justiça Amapaense. Dentre os integrantes da organização criminosa, havia um
oficial da Polícia Militar.
Durante a operação
foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão e 18 de prisão. Mais de 100
homens participaram da ação, resultado de oito meses de investigação do Núcleo
de Inteligência da Promotoria de Investigações Cíveis e Criminais – PICC. O
nome da operação foi adotado, na época, porque vários dos envolvidos já tinham
antecedentes criminais, cujas penas foram cumpridas no Instituto de
Administração Penitenciária do Amapá – IAPEN.
O condenado
Paulo Jorge, além da pena de seis anos e dez meses de reclusão, em regime
inicialmente fechado, também foi afastado do serviço público, onde exercia a
função de oficial tenente da Polícia Militar. Sua participação nos crimes foi
considerada ainda mais grave em razão da natureza de suas atividades
profissionais. Na sentença o juiz Marck Willian destacou que “a sociedade
deposita nos policiais militares sua confiança, expectativa de paz e segurança,
sendo que se não puder acreditar plenamente na polícia, não terá mais em quem
confiar, motivo pelo qual a pena dele deverá ser mais elevada”.
Para o promotor
Moisés Rivaldo Pereira da PICC, o importante é destacar que o Ministério
Público, com apoio da Polícia Civil e da própria Polícia Militar, conseguiu
desbaratar uma quadrilha de alta periculosidade que praticava roubos em casas,
estabelecimentos e traficava drogas e armas. Sobre a participação de um
policial, Moisés assevera “ser esse o pior tipo de bandido que existe, porque
veste uma farda, tem uma carteira e porta uma arma legalmente, usando, dessa
forma, os equipamentos do Estado para a prática de diversos crimes”, disse.
A chefe da
quadrilha, Aldenice Alves Bezerra, conhecida como Donza, já havia sido
condenada em um processo anterior por tráfico internacional de drogas e recebeu
neste caso, a maior pena aplicada ao grupo, são 22 anos e 11 meses de prisão.
“Essa é a resposta que a sociedade espera do Ministério Público, especialmente
nos crimes que causam maior repulsa entre a comunidade”, avalia o promotor.
A ação dos
traficantes é considerada uma das mais perniciosas no meio social e desperta
atenção máxima do órgão ministerial, que mantém durante todo o ano a Campanha
“Denuncie um traficante, antes que ele adote o seu filho”. Os interessados em
colaborar com as ações do MP/AP podem acionar o disk denúncia (9971-1199) a
qualquer tempo. Será resguardado o sigilo das fontes.
Os condenados
pelos crimes de formação de quadrilha, roubo, tráfico de drogas, receptação e
corrupção passiva são: Adailton Pacheco, Diego Gomes Coutinho, Celivaldo Abreu
da Silva, Matheus Vieira Rodrigues, Leoveth Gomes Dias, Manoel Nerisvaldo Gomes
Coutinho, Itapoan Maciel Tolosa, Aldenice Alves Bezerra, Adilene Penha Nunes,
Ícaro Nunes Silva, Moisés Diniz Sherring e Paulo Jorge Dias Oliveira.
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