O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a
liminar impetrada pelo Tribunal de Justiça do Amapá e pela Assembleia
Legislativa, que exigiam o bloqueio das contas do governo do Estado em função
do repasse do duodécimo de novembro ter sido menor do que prevê a Lei de
Diretrizes Orçamentária (LDO).
Segundo a Secretaria de Estado do
Planejamento, Orçamento e Tesouro (Seplan), a diminuição do duodécimo ocorreu
porque a receita arrecada pelo Estado ficou bem abaixo do que a receita
prevista pelo Legislativo, que superestimou o orçamento vigente, modificando a
proposta inicial do GEA da LDO.
Ou seja, o repasse de novembro aos Poderes
foi feito com base de cálculo do que realmente entrou nos cofres públicos do
Estado, de acordo com os valores do repasse constitucional do Fundo de
Participação dos Estados (FPE), cujos valores vêm apresentando queda constante,
em razão, principalmente, pela desoneração do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), principal tributo que compõe o FPE.
"Nos meses de janeiro a outubro deste
ano, o Governo do Amapá foi obrigado a repassar aos Poderes Legislativo e
Judiciário, e ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado, valores
acima do que o Executivo arrecadou de fato. Isso porque a Assembleia
Legislativa alterou o orçamento de 2012, superestimando a arrecadação; previsão
parlamentar que até o momento não se concretizou, e que está causando uma grave
distorção orçamentária", avalia o secretário da Seplan, Juliano Del
Castilo.
Confirmando essa distorção, a Seplan,
responsável pela elaboração da LDO e da Lei Orçamentária Anual (LOA), constatou
que, até o dia 20 de novembro, o valor financeiro que entrou nos cofres do
Estado de arrecadação não se aproximou do valor previsto pelos deputados. O
Executivo, amparado pelo artigo 10º, da LDO, teve de fazer repasses aos Poderes
com base em valores que não se confirmaram.
Orientado pela Procuradoria Geral do Estado,
o governador Camilo Capiberibe se viu obrigado a fazer ajustes necessários nos
valores dos repasses do duodécimo de novembro e de dezembro, de acordo com o
valor financeiro que foi efetivamente arrecadado até o momento. "Se não
efetivasse o repasse com os valores reajustados, o Governo do Amapá
descumpriria a LDO, cometendo, portando, uma ilegalidade", pontua o
procurador geral do Amapá, Antônio Kleber.
"Pelos cálculos feitos pela Seplan, com
base nos recursos do que realmente entraram nos cofres públicos, o GEA fez
repasses maiores aos Poderes, entre janeiro e outubro, no valor de R$ 21
milhões. Por isso, existe hoje a necessidade dos reajustar os repasses do
duodécimo com valores menores em novembro e dezembro", garante Del Castilo.
Segundo o secretário, ficou acertado com
técnicos do financeiro dos Poderes, em reunião recente, que, caso a receita
arrecadada se recupere, e supere a receita estimada nos meses de novembro e
dezembro, de acordo com o que foi aprovado na LOA pela AL, serão repassados às
instituições os valores correspondentes devidos, mas no exercício financeiro de
2013.
Corrigida a distorção, o governador Camilo
Capiberibe determinou que os R$ 21 milhões que ficarão nos cofres do governo
sejam utilizados para amenizar a situação de pagamentos em atrasos do GEA com
fornecedores e prestadores de serviços.
Junior N
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