sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Liminar mantinha no governo empresa alvo de operação da PF



Investigação teve início há três anos no esquema criminoso desvendado pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal



Um esquema criminoso criado em 2006, durante a gestão do ex-governador Waldez Góes, e mantido dentro da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) por decisão liminar da justiça, foi o alvo ontem da Operação Dis Pater, realizada pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal no Estado do Amapá.
Durante a referida operação que teve por objetivo de identificar e colher provas a respeito da organização criminosa liderada pela empresa Amapá Serviços, a PF cumpriu nove mandados de prisão, sendo um de prisão preventiva e oito de prisões temporárias, 15 de busca e apreensão, além de ordens de sequestro de bens e valores, bloqueio de contas bancárias, fiança e de suspensão de exercício de função pública, todos expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal no Estado do Amapá.
Os mandados de prisão foram cumpridos  em Macapá, Oiapoque, e no Distrito Federal em residências, fazendas e empresas dos envolvidos, bem como em um órgão público estadual. A estimativa inicial é que, entre bens móveis e imóveis dos investigados, a Polícia Federal tenha apreendido, mediante ordem judicial, o valor aproximado de R$ 1,5 milhão.
Os integrantes vão responder pelos crimes de estelionato contra a administração pública, formação de quadrilha, peculato, sonegação de documentos, prevaricação, advocacia administrativa, entre outros.
Segundo a própria Polícia Federal o esquema criminoso foi identificado ainda durante a Operação Sanguessuga, realizada pela própria PF em 2006, tendo alguns de seus integrantes também sido presos nas operações Pororoca em 2004 e Mãos Limpas em 2010.
De acordo com as investigações, o grupo operava um esquema de direcionamento da licitação, superfaturamento em contratos de prestação de serviços da Secretaria de Saúde o que acabou gerando um desvio de verbas públicas quantificado, por perícia, de mais de R$ 10 milhões dos cofres públicos nos últimos cinco anos. No decorrer da investigação, foi apontada ainda a participação de servidores da SESA e do Tribunal de Contas do Estado do Amapá.

Liminar
Entre os presos encontra-se o empresário Erick Jansen, dono da empresa Amapá Serviços, que já havia sido preso também nas demais operações anteriores da PF, relacionadas ao mesmo esquema criminoso.
Mesmo com a série de denúncias e investigações contra a empresa, o empresário obteve em 2011, liminar concedida pela justiça mantendo contrato.
A atual gestão da Sesa, por orientação do MPF realizou chamada pública no final do ano passado para o serviço em questão, mas a Amapá Serviços obteve decisão do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), mantendo-a no contrato com o governo. O Estado recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), porém o ministro Ary Pagendler, após emitir decisão favorável ao governo no sentido de suspender o contrato, logo depois estranhamente decidiu pela permanência da empresa na prestação do serviço, mesmo não existindo mais contrato.
Após a decisão do ministro o Estado, através da Sesa, foi obrigado ainda a dispensar os demais contratos para a prestação do serviço de limpeza que tinha nos demais municípios com outros outras empresas, e no lugar contratar a  Amapá Serviços.  

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